quinta-feira, 22 de maio de 2014

Ruth Guimarães | 1ª parte | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

. Uma dama. Uma fada da literatura. Simplicidade e sabedoria marcam sua linda prosa." Entrevista gravada em 29.08.08, na residência da autora, em Cachoeira Paulista – SP

  O Lince – Estamos na residência da escritora Ruth Guimarães, em Cachoeira Paulista-SP, para uma entrevista exclusiva para o Jornal O Lince. Dona Ruth, muito bom-dia! Eu gostaria de começar fazendo um questionamento à senhora que é de praxe: Como começou essa ligação da senhora com o escrever, com a escrita, enfim, com a literatura de um modo geral?

  Ruth Guimarães – Eu acho que isto vem da minha família. Meu pai tinha uma biblioteca, então, quando eu era bem pequena, eu já brincava com livro, já folheava livro. Quando eu estava na escolinha da roça, já lia os livros do meu pai, apesar de que ele tinha só o Machado de Assis e outros da mesma época, mas a gente lê o que tem, né? Lê o que pode. Li Monteiro Lobato. Monteiro Lobato foi o meu iniciante.

  O Lince – Depois desse primeiro contato, o que levou a senhora a buscar um curso de Letras Clássicas, o que levou a senhora a buscar essa aproximação maior com a literatura?  Teve algum fato marcante ou esses primeiros contatos com Machado, com Monteiro Lobato é que foram a provocação, o estímulo bastante para isso?

  Ruth Guimarães – Eu tive mãe muito imaginosa e gostava muito de ler romance. Em Lorena, eu estudei no começo do ginásio em Lorena, e em Lorena havia uma família, Di Domênico, que alugava livros a 200 réis cada um, por oito dias, e como minha mãe gostava muito de romance, ela me mandava fazer uma assinatura e trazer uns quatro ou cinco livros pra casa. E aqueles livros corriam, mas eram livros assim: Delly... eu nem me lembro mais os autores... esses livrinhos pra moça, porque era isso que minha mãe lia, e eu lia também, mas, com a continuação de leitura, eu fui apurando a maneira de escrever, ficou fácil pra mim escrever. A prática né! Então, tendo prática de escrever, quando havia aula de redação na escola, a minha redação, ainda mais que eu contava com a imaginação da minha mãe que eu herdei... eu tenho muito imaginação... então, com essa prática de ler romance, eu fiquei com uma facilidade muito grande de escrever e quando havia aula de redação que a professora mandava escrever historinha, mandava descrever a sala de aula, claro que eu tinha uma provinha ou um trabalho diferente dos outros trabalhos por causa da minha prática. E aí as professoras se entusiasmavam e mandavam pro jornalzinho da cidade. Chamava-se “O Cachoeirense”. Então, com dez anos, eu escrevia n’O Cachoeirense (risos). Pena que eu não tenho, não guardei, não me incomodei com isso pra ver que porcarias que eu escrevia (risos).

  O Lince – Para uma criança de dez anos, com certeza, tinha muita qualidade.

  Ruth Guimarães – Pois é! Porque eu era constantemente solicitada pra escrever. Tinha um cantinho lá pra mim no jornal da cidade. E quando eu estudei em Guará, eu tinha uns treze anos, por aí, doze ou treze anos, aí eu escrevia pro jornal da cidade, porque eu fui aluna do professor Jerônimo de Aquino (graaande professor!), e ele me ensinou a métrica. Olha! Ninguém estava aprendendo métrica, só eu (risos). A minha vida foi orientada no sentido de escrever.

  O Lince – Então, obviamente que estes contatos desde a família até a escola, escolas...

  Ruth Guimarães – A escola me ajudou muito... porque me tirou da minha casa. Eu fiquei sem pai e sem mãe cedo e fiquei com a minha avó materna. Minha avó era caipira, mineira, contadeira de história. Veja como as coisas vão se acomodando. Quando as coisas têm que ser parece que tudo se encaminha nessa direção. Então, eu fiquei contadeira de história também, e contadeira de história tanto falando como escrevendo. Eu sou contadeira de história até hoje.

  O Lince – E a partir daí, então, o contato da senhora com o mundo acadêmico e, por conseqüência, o contato com a literatura universal mais ampla, mais vasta. Como é que a senhora avalia essa formação acadêmica na definição dos seus rumos literários?

  Ruth Guimarães – O que acontece é que toda gente que tinha contato comigo, contato com a minha família, o divertimento era me ensinar coisas. Cada um me ensinava aquilo que sabia e logo cedo eu peguei uma experiência grande nesse sentido e mudei a escolha de livros, aí eu pude escolher... aí não eram mais aqueles livros de moça, aquela literatura pra moça que era M. Deli e outros. Eu comecei a ler literatura mais séria. Mas literatura mesmo e não historinha.

  O Lince – E a partir daí, quando que a senhora decidiu escrever o primeiro livro, escrever a primeira obra?

  Ruth Guimarães – Eu não decidi escrever um livro não, o livro se escreveu sozinho (risos) porque eu escrevi uma coisa e outra, e quando eu fui para São Paulo, fui procurar os artistas. Veja só que atrevimento! Eu tinha dezessete anos, fui pra São Paulo, fui trabalhar, e gostava de escrever, e fiz uma visita a Abner Mourão do Correio Paulistano, defunto Correio Paulistano. O Abner Mourão leu o que eu escrevi, com aquele jeitão dele, botou os dois cotovelos em cima da mesa, da cátedra dele, de trabalho, e falou pra mim assim: “Foi a senhora mesmo que escreveu isso aqui?” Então aquele “mesmo” me esporiou, né? Claro que fui eu que escrevi, e considerei como um grande elogio: “foi a senhora mesmo que escreveu isto?” E publicou, e publicou.

(Clique na imagem para ampliar)

E isto foi um estímulo porque eu falei: Se o grande Abner Mourão considera bom, então tá bom, então tá bom, então eu vou escrever, e continuei escrevendo.

  O Lince – A gente vê também em todo o trabalho da senhora um grande apreço pelas traduções, especialmente Dostoiévski,...

  Ruth Guimarães – ... eu ganhava o extra fazendo tradução do francês. Dostoiévski eu fiz do francês, de segunda mão... fiz Balzac, fiz Prosper Mérimée, fiz Oscar Wilde, fiz uma porção de traduções. Traduzi do italiano, traduzi do espanhol,...

  O Lince – E desse contato com originais ou traduções a partir textos de “segunda mão”, a senhora foi costurando, alinhavando a sua própria forma de...

  Ruth Guimarães – Muito mais fora da USP do que dentro. Muito mais. O Diaulas, da Cultrix, ele dizia pra mim assim: “Você que devia me pagar pra fazer a tradução para a editora, porque o que você está aprendendo aqui você não aprendia em nenhuma escola do mundo”. Pois é!

  O Lince – E dessas traduções, desse trabalho fora da universidade, somado ao trabalho acadêmico, como a senhora definiria suas maiores influências literárias? Quais são os autores da sua predileção, quais são os autores que mais influenciam sua obra?

  Ruth Guimarães – Bom, o que eu admiro mais e com quem eu concordo no total é Machado de Assis... Machado de Assis... não tem outro pra ele. Eu gosto do Mário de Andrade, por exemplo; gosto muito do Guilherme de Almeida, apesar de que eu não o considero um grande poeta, é um grande escritor de versos (risos)... tem uma grande música e uma grande beleza também, mas é pouco profundo, né? Ele é mais no ritmo do sambinha (risos).

  O Lince – Há poucos dias, saiu na Folha de São Paulo, um artigo remetendo a uma pesquisa de um professor de uma universidade do Rio Grande do Sul comparando Machado de Assis e Borges e fazendo críticas bastante pesadas ao modernismo, a Mário de Andrade, a Osvald. Como é que a senhora vê os escritores modernistas no Brasil?

  Ruth Guimarães – São muito bons... mas são muito bons. O maior de todos é o Mário. Eu fui aluna do Mário! Porque, quando eu escrevi Os Filhos do Medo... eu estava escrevendo Os Filhos do Medo e não tinha pra quem mostrar... e não tinha uma pessoa que me dissesse... que me dissesse alguma coisa, que fizesse alguma crítica contundente, uma crítica que fosse fundo do que eu estava escrevendo. Escrevi e não sabia se aquilo tava... se era bem assim ou se não era. Aí eu procurei o Mário e tive várias sessões com ele, ele se interessou muito, ele era uma criatura sempre disponível pra gente... e fez umas críticas dolorosas, mandou cortar, mandou jogar fora... (risos). E depois ele disse pro Fernando Góes que era jornalista e era amigo comum, dele e meu: “Sabe aquela menina”, porque eu tava com vinte anos ou menos, e ele falou: “Aquela menina sabe, oh Góes, ela reagiu à altura”. Isto, na fala do Mário de Andrade, foi um estímulo pra mim, foi um empurrão pra cima, e daí que eu fiquei mesmo pesquisadora e estudando folclore, sociologia. Fiz sociologia com o Bastidinho e curso pós na USP. Porque, sabe, eu tenho essa idéia de que quando a gente faz uma coisa, ou faz bem feito ou não faz. História de ligar Internet aí, e copiar, não dá certo. A gente dar opinião sem estar com uma base boa, também, é até um pecado.

  O Lince – Temerário.

  Ruth Guimarães – Temerário. Então, o que eu faço, eu faço bem feito, o mais bem feito possível. Quando foi pra escrever os livros religiosos, que eu escrevi para a Cultrix também, eu levei dois anos fazendo Teogonia, pra depois pegar o livro e escrever, que era pra dar uma súmula, um apanhado da religião ou de cada religião direito né, o que era. Então sabia o que era Pentecostes, o que é transubstanciação, o que é que faz a diferença entre o evangélico e o católico, mas não diferença de fé, diferença de conhecimento, por que a religião católica se apóia em Cristo sem discutir se Cristo existe ou não existe, ou existiu como homem ou existiu como Deus, mas a filosofia da religião. 

Entrevista Ruth Guimarães | 2ª parte | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa




  O Lince – E como é que nesse evoluir da escritora Ruth Guimarães, como é que a senhora, didaticamente, colocaria as fases pelas quais a senhora passou. Que temário, que temática que, de certa maneira, foi conduzindo a senhora ao longo dessa carreira de escritora... dessa vida de escritora? O início, como foi? Que preocupações conduziam a senhora?

  Ruth Guimarães – Eu tinha umas idéias a respeito da linguagem. Eu sempre gostei muito de discutir a linguagem dos autores. Então, eu via, por exemplo, Lima Barreto, um grande escritor, tem muitas idéias, ia fundo nos pensamentos dele, mas uma linguagem horrível... quer dizer, não era uma linguagem horrível não. Era uma linguagem muito boa, mas sem aquele aval do escritor que sabe escrever. Pegar Jorge Amado... Jorge Amado comove as pessoas, tem uma linguagem bonita... ele dá adjetivação... ele é um narrador muito bom... ele é um descritivo também muito bom, mas não sabe escrever. Então, ele prejudicou a perenidade dos livros dele. Daqui a cinqüenta anos, quem vai ler Jorge Amado? E assim: esta leviandade de fazer o que não sabe. E aí eu resolvi escrever sabendo o que eu estava fazendo, mesmo se não fosse o escritor aquela criatura de idéias, pelo menos a língua...

  O Lince – A forma...

  Ruth Guimarães – Isso mesmo, a forma. Por isso que eu entrei na USP, na seção de Letras Clássicas, para aprender latim, grego e português, três línguas mortas (risos).

  O Lince – Desta primeira preocupação com a linguagem, com a adequação com a forma...

  Ruth Guimarães – Então, eu queria escrever como se falava, mas não escrever como se falava à maneira do Guimarães Rosa. Briguei muito com o Guimarães Rosa, imagine que atrevimento! Mas eu dizia: “Guima, você não tem direito de cunhar palavras, de criar palavras, a palavra só existe se tiver um povo que fale, a palavra é povo. E você põe aí, por exemplo, o mato aeiouava. Muito bonita a palavra, muito engraçada também, mas não vale nada, quem vai falar essa palavra daqui pra frente? Só você. Nos seus livros, daqui a não sei quantos anos, esta palavra que está aqui não existe”.

  O Lince – Acaba gerando um hermetismo...

  Ruth Guimarães – É. E ele tem muitas assim desse tipo.

  O Lince – A senhora acha que isso tornaria, então, a obra anacrônica, dentro de sua própria época?

  Ruth Guimarães – Não, anacrônica não! Defunta. (risos) Palavra que não é de povo, é palavra morta. Esta história de ter uma língua universal. O inglês universal porque tem um monte de gente que fala. Usar o esperanto e aquele, o sânscrito. Ah! O que é isso? Não tem povo que fale, não existe O que existe é gente. Então, esse o meu sentido, a direção da minha escrita. E aí quando eu escrevi, eu quis escrever numa linguagem que ninguém tinha usado que era a linguagem valeparaibana. Qual é o escritor que escreveu o valeparaibano? Só eu. E eu tinha direito, primeiro, porque eu sou povo daqui, eu sou caipira, e, segundo porque eu tinha uma experiência grande da linguagem mais profunda, da linguagem que se usa pra rezar, por exemplo, da linguagem que se usa para amar, então, eu sou intérprete de uma língua que existe, que é o valeparaibano, e eu escrevi, em valeparaibano, e de Minas também, porque eu vim de uma fazenda de Minas. Não nasci lá, sou daqui de Cachoeira Paulista, mas eu vim de uma fazenda de Minas. Escutei aquelas conversas todas lá e pus no livro com a maior fidelidade possível, porque eu sou uma criatura, sou caipira, mas em cima do caipirismo, da caipirice, eu sou uma criatura estudada, trabalhada.

  O Lince – De todas as obras que a senhora escreveu, que a senhora produziu, existe alguma de sua predileção? Alguma obra que mais tenha gerado encantamento, orgulho de autoria?

  Ruth Guimarães – Olha, eu aprecio todas as minhas obras e aquelas que eu não aprecio, que eu não dou o meu aval, eu jogo fora. Já escrevi romance de duzentas páginas e joguei fora porque não me satisfez. E quando acabo de escrever um livro, não é meu mais, acabou, vai embora. Eu não tenho os meus livros. Agora é que os meus filhos estão colecionando. (risos)

  O Lince – O que a senhora tem de trabalho recente é a série Macunaíma para crianças, é isso?

  Ruth Guimarães – É a série Macunaíma para crianças. Tem um livro que estou escrevendo, faz tempo que estou escrevendo. Chama-se: Um tal de Zé. Um romance, mas um romance do comportamento do povo valeparaibano. Esse daí de vez em quando eu pego e escrevo e reescrevo. E também recente são as crônicas que estou escrevendo no Valeparaibano, toda quarta-feira escrevo uma, vou fazer uma coleção e publicar em livro.

  O Lince – E já gostaria de deixar o convite aqui para senhora. Seria uma honra, para nós, tê-la escrevendo n’O Lince. É uma vez por mês só, mas...(risos)

  Ruth Guimarães – Me dê os tamanhos, porque eu sou muito irregular nesta questão de medida. Uma vez escrevo demais, outra vez escrevo de menos. A minha imaginação não tem medida, não tem tamanho.

(Clique na imagem para ampliar)

  O Lince – E o jornal tem o tamanho de sua imaginação. O que achar que deve escrever, estaremos dispostos a publicar... E gostaria de fazer mais uma pergunta: agora, recentemente, a senhora, assumindo uma cadeira na Academia Paulista de Letras, poucos valeparaibanos tiveram essa honra de lá estar...

  Ruth Guimarães – ... Poucos e bons. Péricles Eugênio,....

  O Lince – Exatamente. Então, gostaria de saber qual é o sentimento, o que a senhora tem a dizer sobre esse reconhecimento de toda uma vida e de toda uma obra e desta possibilidade de estar representando o Vale do Paraíba na Academia Paulista de Letras?

  Ruth Guimarães – E estou um pouco Cinderela. Uma coisa que acontece uma vez na vida, né, e quando acontece, se acontece. Foi muito bom.

  O Lince – Como é o processo de escolha de um membro da Academia?

  Ruth Guimarães – Geralmente a proposta é feita por um dos confrades, um dos membros. Eu já tive convites antes, quando eu era bem moça, por um acadêmico chamado Fernando Góes. Bem mais tarde eu tive convite por outro que é o Paulo Bonfim, o poeta, mas eu não tava pra Academia não, sabe! Porque prestígio não me tenta muito, e eu tinha a impressão que não ia fazer grandes coisas lá na Academia. O que que eu ia fazer lá na Academia? E também o meu estilo de vida não dava pra Academias não. Eu tinha muito compromisso, eu tinha muita complicação na minha vida. Trabalhava em dois empregos pra sustentar os meus irmãos, que eram os meus filhos ao mesmo tempo, porque eu criei os irmãos menores com a morte do meu pai e minha mãe. E não dava mesmo! Não dava tempo, não tinha tempo, não tinha maneira de conciliar as coisas e freqüentar a Academia, nem pensar, nem pensar. Agora eu trabalho bastante também, mas estou aposentada, chefio um Departamento de Cultura do município de Cruzeiro, sou funcionária pública de carteirinha (risos) Trabalho muito, trabalho muito! E este lugar na Academia, eu consegui porque eu sou muito trabalhadeira. Eu tenho uma religião que é mais ou menos a religião de São Paulo, São Paulo, o santo, e não São Paulo, o estado. O São Paulo dizia assim: “Aquele que não trabalhaque não coma”. Lapidar. Eu também sou assim. Acho que aquele que não trabalha, que não coma. Se no Brasil se trabalhasse mais, se fizesse a religião do trabalho, estava em muito melhores condições.

  O Lince – Meu avô também tinha uma frase lapidar neste sentido. Ele dizia: “Quem não trabalha, não merece o prato que come”.

  Ruth Guimarães – É a mesma coisa. Exatamente. Então, eu sempre trabalhei muito e sempre procurei trabalhar certo. Então, se eu tenho algum merecimento, eu devo ao trabalho.
O Lince – Existe alguma influência Durkheimiana, positivista, nesta visão, nesta religião do trabalho?

  Ruth Guimarães – Não. A minha é a sabedoria popular (risos). A minha é a sabedoria do caipira.

  O Lince – E falando um pouco em sabedoria do caipira. E essa ligação da senhora com o folclore, esse desejo de escrever sobre essa sabedoria. Isso se traduziu numa série de obras. Que obras são essas e o que a senhora buscou nessas obras?

  Ruth Guimarães – Eu busquei o registro. Porque nós somos um país continental, com comportamentos diferenciados em cada uma das áreas e está tudo por fazer. Então, eu que estou aqui e que sei, e que sinto esta efervescência da cultura popular, achei que era meu dever fazer o registro e fazendo o registro eu faço o estudo. Estudei o folclore... também. (risos)

  O Lince – Falando ainda em Folclore, nós tivemos em Aparecida uma representante do folclore na região...

  Ruth Guimarães – ... a Conceição Borges...

  O Lince – ...não, a Maria de Lourdes, irmã dela, que foi da Comissão Nacional do Folclore. A senhora chegou a conhecê-la? Teve algum contato com ela?

  Ruth Guimarães – Elas são primas do meu marido. E eu fui colega do irmão delas... como é que ele se chama? Eu me esqueci o nome dele. Faz tanto tempo isso. Eu estudei em São Paulo, na Escola Normal Padre Anchieta, em 1935. Em 35, eu estava, em São Paulo, estudando. Então, eu andava...

Vai com Deus:Escritora Ruth Guimarães..muito obrigada pelos Saberes Necessário ao Ensino Apredizagem:

Escritora Ruth Guimarães morre aos 93 anos em Cachoeira Paulista, SP

Ela morreu nesta quarta-feira (21) vítima de uma parada cardíaca.
Autora teve cerca de 40 livros publicados; ela será enterrada quinta (22).

Do G1 Vale do Paraíba e Região
1 comentário
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Ruth Guimarães era integrante da Academia Paulista de Letras (Foto: Reprodução/ Câmara de Cachoeira Paulista)Ruth Guimarães era integrante da Academia
Paulista de Letras.
(Foto: Divulgação/ Câmara de Cachoeira Paulista)
A escritora Ruth Guimarães, de Cachoeira Paulista, morreu nesta quarta-feira (21), aos 93 anos, vítima de parada cardíaca. O velório começou às 16h e ela será enterrada nesta quinta-feira (22) no Cemitério Pio 12, em Cruzeiro.
De acordo com informação da Santa Casa de Cachoeira Paulista, onde Ruth foi atendida, ela havia procurado a unidade nesta terça (20) por conta da diabetes. Ela estava também com a presão alta. Com a saúde debilitada, ela sofreu parada cardíaca por volta das 14h desta quarta.
Formada em Letras e em Arte Dramática pela Universidade de São Paulo (USP), a escritora  teve cerca de 40 livros publicados entre romances, crônicas, contos e biografias. O nome dela foi imortalizado ao lado de outros ícones da literatura brasileira ao ser eleita membro da Academia Paulista de Letras em 2008.
Ela vivia em Cachoeira Paulista, onde nasceu. No local ela mantinha uma biblioteca pessoal com mais de 4 mil títulos. Ruth Guimarães completaria 94 anos no próximo dia 13.




sexta-feira, 30 de dezembro de 2011


Ruth Guimarães


Foto: Sônia Gabriel - 2011

Ruth Guimarães - Nasceu em Cachoeira Paulista - SP,13 de junho de 1920. Como gosta de reforçar, nasceu no sítio de seu avô, José Botelho, que trabalhava na estrada de Ferro Central do Brasil. O local fica na rua da estação, próximo às águas do rio Paraíba do Sul. A escritora vive e produz no sítio em que nasceu.
Segundo consta, suas primeiras publicações foram aos dez anos de idade, publicou seus versos nos jornais locais 'A Região' e 'A Notícia'. Formou-se em Letras Clássicas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. É professora; jornalista; cronista; romancista prestigiada por Antônio Cândido, Guimarães Rosa, Amadeu de Queiroz e Lygia Fagundes Telles; contista; folclorista, aluna e discípula de Mario de Andrade e tradutora brasileira de inúmeras obras.
Foi a primeira escritora brasileira negra que conseguiu projetar-se nacionalmente desde o lançamento do seu primeiro livro, o romance Água Funda, em 1946. Escreveu crônicas para grandes jornais como Folha de São Paulo e O Estado de S. Paulo, e revistas, como a Revista Manchete. Tem uma coluna semanal (quarta-feira)de crônicas no jornal O Vale, em São José dos Campos - SP. É membro da Academia Paulista de Letras e do Instituto de Estudos Valeparaibanos - IEV, dentre outras instituições.
Ruth Guimarães é acima de tudo, mestra. Sábia, exigente e paciente como as grandes professoras, das quais sempre nos recordamos com respeito e admiração. Ruth Guimarães foi casada com José Botelho Netto (morto em 2001),com quem teve nove filhos: Marta, Rubem, Antonio José, Joaquim Maria, Judá, Marcos, Rovana, Olavo e Júnia. No sítio, na rua da antiga estação, recebe seus leitores, amigos e admiradores sempre com presteza, carinho, suco de frutas e disposição para ensinar.
A escritora premiada, competente e dona de estilo único está sempre aberta aos aprendizes e amantes dos livros.

Por Ela

Água Funda. Porto Alegre, Edição da Livraria do Globo, 1946;
Filhos do Medo. Porto Alegre, Editora Globo, 1950;
Mulheres Célebres. São Paulo, Editora Cultrix, 1960;
As Mães na Lenda e na História. São Paulo, Editora Cultrix, 1960; 
Líderes Religiosos. São Paulo, Editora Cultrix, 1961;
Lendas e Fábulas do Brasil. São Paulo, Editora Cultrix, 1972; 
Dicionário da Mitologia Grega. São Paulo, Editora Cultrix, 1972; 
O Mundo Caboclo de Valdomiro Silveira. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Edi-tora/Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo do Estado de São Paulo/Instituto Nacio-nal do Livro, 1974;
Grandes Enigmas da História. São Paulo, Editora Cultrix, 1975; 
Medicina Mágica: As simpatias. São Paulo, Global Editora, 1986; 
Lendas e Fábulas do Brasil. São Paulo, Círculo do Livro, 1989; 
Crônicas Valeparaibanas. São Paulo, Centro Educacional Objetivo/Fundação Nacio-nal do Tropeirismo, 1992;
Contos de Cidadezinha. Lorena, Centro Cultural Teresa D’Ávila, 1996;
Vestuário. São Paulo, Donato Editora Ltda., Volume, s.d.;
“Esta é a segunda carta que lhe escrevo”, in “Cartas a Mário de Andrade”. Organiza-ção Fábio Lucas, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1993;
Água Funda. 2ªedição, com prefácio de Antonio Candido, São Paulo, Editora Nova Fronteira, 2004;
Calidoscópio - A Saga de Pedro Malazarte. São José dos Campos, JAC Editora, 2006;
Grandes Vocações. São Paulo, Donato Editora, s/d.
João Barandão. São Paulo, Editora Acatu, 2010.
Entre outros...

Teatro: A Pensão de Dona Branca; Romaria.

Traduções: Histórias Fascinantes, de Honoré de Balzac: seleção, tradução e prefácio - São Paulo, Editora Cultrix,1960;

Os Mais Brilhantes Contos de Dostoievski, de Feodor Mikhailovitch: introdução, seleção e tradução. Rio de Janeiro, Edições de Ouro, 1966;
Contos de Dostoievski: introdução, seleção e tradução. São Paulo, Editora Cultrix, 1985; 
Contos de Alphonse Daudet: seleção e prefácio. Tradução: Ruth Guimarães e Rolando Roque da Silva. São Paulo, Editora Cultrix, 1986;
Contos de Balzac: seleção, tradução e prefácio. São Paulo, Editora Cultrix, 1986;
Os Melhores Contos de Alphonse Daudet: seleção e prefácio.
Guimarães e Rolando Roque da Silva. São Paulo, Círculo do Livro, 1987;

Os Melhores Contos de F. Dostoievski: tradução, seleção e introdução. São Paulo, Círculo do Livro, 1987;
Os Melhores Contos de Balzac: seleção, tradução e prefácio. São Paulo, Círculo do Livro,1988;
A Mulher Abandonada e outros contos de Balzac: seleção, tradução e prefácio. Rio de Janeiro, Ediouro, 1992;
Histórias Dramáticas, de F. Dostoievski: seleção tradução e prefácio sem Identificação bibliográfica;
O Asno de Ouro, de Apuleio. Edições Ouro, s.d.;
A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho, idem;
A Corrente, de Claras Cartas, do italiano. São Paulo, Editora Saraiva, s.d.

Fontes:

Obras da autora.
http://www.ube.org.br/biografias-detalhe.asp?ID=1022, acesso em 30/12/2011.



Capas de algumas obras de Ruth Guimarães


Sobre Ela

BARJA, Paulo. Viva Ruth Guimarães! A bruxa de Cachoeira. Cordel, 2011.

COELHO, Nelly Novaes. Dicionário de Escritoras Brasileiras. Editora Escrituras, São Paulo - SP, 2003.

SILVA, Filipe Chicarino. Fada das Letras: a vida de Ruth Guimarães. FATEA, 2010. (Trabalho de Conclusão de Curso)













-  http://www.youtube.com/watch?v=VCoVgAEZoIQ&feature=related (Entrevistada por Ronnie Von - Gazeta)

 -  http://www.youtube.com/watch?v=QUuJZbNWyeA&feature=player_embedded (Paulo Barja apresentando o Cordel Viva Ruth Guimarães!)



3 comentários:

Anônimo disse...
Agooooooooooora sim! Está lindo, amei.
Parabéns.

Bjim e feliz 2012, cheio de paz, luz, prosperidade, sonhos realizados, amor, realizações, flores, aromas, cores,
texturas, rs. Bjim...
Dani
Batom e poesias disse...
Grande imensa Ruth...
Parabéns pelo blog.

bj
Rossana Masiero
Marcelo Write disse...
Parabéns pelo site e pela belíssima referência a Ruth Guimarães. Mais brasileiros deveriam tomar contato com a história dessa escritora e com seus livros. A propósito, somos o LetrasEEARtes, projeto pedagógico da Escola de Especialistas de Aeronáutica, em Guaratinguetá, cidade valeparaibana. Gostaríamos de saber se poderíamos contar com sua autorização para publicar o mesmo artigo em nosso site, agora no mês de novembro. Junto à publicação, anexaremos um link para o Escritoras do Vale do Paraíba. Em caso afirmativo, basta nos enviar um e-mail ou enviar mensagem diretamente de nossa página, em contatos.
Obrigados.
Marcelo Menezes e Daniella de Almeida